Paulo Alexandre defende restrições à publicidade de bets no Brasil
O deputado federal Paulo Alexandre Barbosa (PSD) reafirmou sua posição contrária à publicidade de casas de apostas esportivas, conhecidas como bets. Segundo o parlamentar, a divulgação desse tipo de serviço tem contribuído para o aumento do endividamento de famílias e provocado impactos negativos na sociedade.
O debate sobre a regulamentação da publicidade das bets ganhou força durante a Copa do Mundo de 2026. Nas redes sociais e em diferentes meios de comunicação, cresceu a discussão sobre anúncios que destacam ganhos financeiros, taxas de acerto e incentivos às apostas.
Deputado defende restrições à publicidade
Para Paulo Alexandre, influenciadores digitais e personalidades públicas exercem grande influência sobre a população. Por isso, ele considera necessária uma legislação mais rígida para limitar esse tipo de propaganda.
“Hoje, a gente vê muitos influenciadores que têm uma presença digital relevante e vários acabam fazendo propaganda de bets. São pessoas que sobrevivem disso e isso está acabando com a sociedade. Quantas pessoas estão endividadas, quantas famílias estão sendo destruídas?”, afirmou.
Além disso, o deputado destacou que existem outras formas de gerar receita com publicidade digital sem incentivar apostas.
“Tem gente faturando alto com isso. Eu, particularmente, respeito quem faz, mas sou terminantemente contra e estou trabalhando no Congresso para que a gente possa proibir. Acho que esse não é o caminho e nós temos outras alternativas como fonte de receita para quem quer fazer publicidade digital”, declarou.
Discussão também avança no Congresso
Em Brasília, Paulo Alexandre Barbosa informou que votou pela retirada de pauta da Medida Provisória que tratava do IOF e das bets após alterações feitas na Comissão Especial, que retiraram o aumento da tributação sobre as casas de apostas.
Segundo o parlamentar, o tema exige medidas que priorizem a proteção da população diante do crescimento das apostas online.
Autoexclusão cresce entre apostadores
Dados divulgados pelo Ministério da Saúde mostram que mais de 574 mil pessoas recorreram à Plataforma Centralizada de Autoexclusão, criada em dezembro de 2025. A ferramenta, disponível por meio do Ministério da Fazenda, permite que o cidadão solicite o bloqueio voluntário em todas as casas de apostas autorizadas no Brasil utilizando apenas o CPF.
Do total de usuários cadastrados, 207 mil pessoas informaram que perderam o controle sobre o jogo e apontaram os impactos na saúde mental como principal motivo para a autoexclusão.
Para o deputado, esses números reforçam a necessidade de restringir a publicidade das apostas esportivas.
“Nós temos que restringir, porque isso está gerando um prejuízo extremamente negativo para a sociedade. Temos famílias que estão se desmantelando devido às bets e são inúmeros os relatos que eu vejo pelas redes sociais de pais e mães que se veem envolvidos em dívidas exorbitantes depois de assistir propagandas e decidir experimentar apostas digitais”, afirmou.
Educação midiática para crianças e adolescentes
Durante a entrevista, Paulo Alexandre também defendeu o fortalecimento da educação midiática nas escolas. Segundo ele, organismos internacionais, como a ONU e a UNESCO, incentivam a inclusão do tema no ambiente escolar para preparar crianças e adolescentes para o consumo consciente de informações e conteúdos digitais.
“A gente tem um projeto muito bacana de educação midiática. A própria ONU e a UNESCO estão incentivando essa prática no mundo inteiro de você introduzir, dentro do currículo escolar, ou de forma transversal, esse tema da educação midiática. Hoje é necessário porque uma criança de dez, 11 anos já está com um celular na mão”, concluiu.