Porto de Santos amplia diálogo com a cidade e gera impactos no emprego
As várias nuances da relação Porto-Cidade, como os acessos e o trabalho, são tratadas nesta entrevista com o secretário de Assuntos Portuários e Emprego de Santos, Bruno Orlandi. Ele também faz um resumo sobre o que foi feito envolvendo o tema durante este ano que está terminando e o que está sendo projetado para 2026.
Qual é a sua avaliação geral da relação entre a cidade de Santos e o Porto neste ano? Quais foram os principais avanços observados?
A relação entre Santos e o Porto avançou de forma consistente em 2025, especialmente quando observamos a conexão entre atividade portuária, trabalho e desenvolvimento econômico. Ainda em 2023, na minha primeira passagem pela Secretaria, levamos ao prefeito Rogério Santos a importância de incorporar o departamento de emprego à pasta, justamente pelo peso do Porto como grande empregador da cidade. Hoje, o setor portuário responde por cerca de 37 mil das 193 mil carteiras assinadas em Santos, o que significa que um em cada cinco trabalhadores atua diretamente em atividades portuárias, número que praticamente dobra quando consideramos toda a cadeia logística, retroportuária e serviços associados. Em 2025, retornamos à Secretaria com a missão do prefeito de estreitar e fortalecer a relação Porto-Cidade, com mais diálogo, planejamento e participação do Município nas discussões estratégicas, e foi exatamente isso que colocamos em prática.
Quais ações da Prefeitura, ao longo de 2025, contribuíram para melhorar a convivência entre a atividade portuária e o cotidiano da população santista?
Quando falamos em relação Porto-Cidade, falamos justamente da necessidade de convivência em harmonia. Por muitos anos, Porto e cidade caminharam de costas um para o outro, e a atuação da Secretaria, em conjunto com outras esferas, ajudou a mudar esse cenário. Houve um diálogo mais alinhado às necessidades do Município, tanto no âmbito local quanto nacional. Em Brasília, contar com o deputado federal Paulo Alexandre Barbosa na presidência da Frente Parlamentar de Portos e Aeroportos fortaleceu o protagonismo de Santos nas decisões estratégicas. No âmbito local, a relação com a Autoridade Portuária de Santos (APS), na figura do presidente Anderson Pomini, se consolidou como uma parceria produtiva, com o Município participando ativamente das principais reuniões e debates. Posso dizer com tranquilidade que foram inúmeras as agendas que participei em Brasília e na APS, sempre com o objetivo de construir soluções conjuntas para o Porto e para a cidade.
Em 2025, quais temas geraram maior diálogo ou mesmo tensão entre o Porto e a Cidade, e como a Secretaria trabalhou esses pontos?
Um dos principais desafios é a dependência de fatores externos, que passam por burocracia e decisões em diferentes níveis de governo. Um exemplo é o PL 733/2025, que nos preocupa pelos possíveis impactos na relação Porto-Cidade. Nessas situações, o nosso papel tem sido acompanhar de perto, dialogar e articular para que os interesses de Santos sejam ouvidos e respeitados.
A mobilidade urbana e o tráfego de caminhões continuam como um dos maiores desafios. O que avançou neste ano e quais melhorias ainda são necessárias?
Os acessos ainda são um grande gargalo para a Cidade e para o Porto. Em 2025, tivemos avanços importantes na região da Alemoa, que é uma área complexa justamente por envolver competências do Município, do Estado e da União, o que exige que as obras aconteçam de forma integrada e em continuidade. As intervenções de drenagem e infraestrutura são fundamentais para melhorar o trânsito e resolver problemas históricos da região. Dentro desse conjunto de ações, o viaduto de retorno da Alemoa já está com o projeto pronto e aguarda autorização do Governo do Estado de São Paulo para o início das obras. Outro avanço relevante foi o debate em torno da nova pista da Imigrantes, uma luta antiga de Santos e da Baixada, que teve participação ativa do Município. Estive em reuniões na sede da Ecovias tratando desse tema, porque ampliar a capacidade do sistema Anchieta-Imigrantes é decisivo para a mobilidade urbana e logística. Além disso, mantivemos diálogo constante com os sindicatos de caminhoneiros, patronais e laborais porque ouvir quem está na operação diária ajuda a construir soluções mais eficientes. Ainda há muito a avançar, mas esses passos mostram que estamos enfrentando o problema de forma estruturada.
Na área de geração de empregos ligados ao porto e à cadeia logística, quais resultados práticos a gente pode destacar deste ano?
Ao longo de 2025, realizamos 12 edições do Mutirão do Emprego, com a oferta de 1.735 vagas e mais de 3.084 pessoas entrevistadas, fortalecendo a política pública de intermediação de mão de obra e ampliando o acesso da população às oportunidades do mercado de trabalho como um todo. Outro avanço importante foi o investimento em qualificação profissional. Um exemplo é o curso inédito e totalmente gratuito de mecânica portuária, desenvolvido em parceria com o Sindicato dos Operadores Portuários (Sopesp) e a Fundação Centro de Excelência Portuária (Cenep), voltado à formação de mão de obra para uma área com demanda real do setor. Foram disponibilizadas 60 vagas e a ideia é preparar trabalhadores, especialmente mulheres, para ocupar as oportunidades que o próprio Porto e a logística oferecem.
Como a Prefeitura tem participado das discussões sobre projetos logísticos e portuários que impactam diretamente a Cidade, como condomínios logísticos ou o canal de acesso?
Temos colaborado de forma ativa e contínua, sempre defendendo a necessidade de soluções coordenadas.
Quando falamos de grandes projetos logísticos, é fundamental avançar em três frentes: estrutural, com novos acessos e ampliação de vias; operacional, com sistemas de agendamento de cargas, controle de fluxo e gestão de filas; e regulatória, com diálogo permanente entre a Autoridade Portuária, o Governo do Estado e os municípios.
Um exemplo claro é o Tecon 10: qualquer expansão desse porte precisa vir acompanhada de soluções equivalentes em infraestrutura e gestão, para evitar sobrecarga viária e garantir eficiência logística sem prejudicar a Cidade e a população.
Do ponto de vista da sustentabilidade, que medidas adotadas ou incentivadas pela Prefeitura ajudaram a reduzir impactos ambientais da atividade portuária sobre a Cidade?
A sustentabilidade tem sido tratada de forma estruturada dentro da Secretaria. No nosso plano de metas, há um compromisso claro de participar de eventos e iniciativas com empresas portuárias que são entusiastas de práticas ESG, justamente para integrá-las ao programa ODS Santos 2030. Além disso, a Prefeitura é signatária do Manifesto ESG do Porto de Santos, o que reforça esse alinhamento entre desenvolvimento portuário, responsabilidade ambiental e compromisso social. A ideia é estimular boas práticas e fortalecer uma cultura de sustentabilidade que envolva Porto e cidade.
Como evoluiu o relacionamento institucional entre a Prefeitura e a Autoridade Portuária de Santos em 2025, e quais iniciativas conjuntas foram mais significativas?
Em 2025, essa relação evoluiu para um trabalho mais próximo e contínuo. Houve uma troca técnica constante entre as equipes da Autoridade Portuária e da Secretaria de Assuntos Portuários e Emprego, com diálogo direto entre os técnicos e acesso às diferentes diretorias da APS. Hoje, o Município participa das discussões, é ouvido e tem suas demandas atendidas, o que fortalece o planejamento e permite tratar temas complexos de forma mais eficiente. Essa integração fez diferença na condução de pautas estratégicas para o Porto e para a cidade.
Quais são as prioridades da Secretaria para 2026 no que diz respeito à relação Porto-Cidade e à melhoria da infraestrutura urbana ligada ao Porto?
As prioridades para 2026 são os projetos estratégicos ligados ao Porto de Santos, como o Túnel Santos-Guarujá, a nova ligação Planalto-Baixada, a nova fase do Parque Valongo, as passarelas de acesso ao Porto e as melhorias nos acessos viários, especialmente na Alemoa. A Secretaria também seguirá atuando nas discussões sobre novos terminais portuários, como o Tecon 10, o terminal de passageiros no Valongo e o novo acesso rodoviário à margem direita do Porto. Além disso, continuaremos participando de eventos e agendas do setor logístico, em diálogo com outras prefeituras, a Autoridade Portuária, o Ministério de Portos e Aeroportos e a Capitania dos Portos. Em 2025, a Secretaria completou 20 anos e se consolidou como referência nacional. Para 2026, seguimos alinhados ao Plano de Governo 2025-2028, com a visão de que o Porto é motor de desenvolvimento, mas precisa crescer de forma integrada à Cidade e ao bem-estar da população.
Quais projetos ou pautas estratégicas estão no radar para o próximo ano e que podem ajudar a consolidar uma relação mais equilibrada entre o Porto de Santos e a cidade?
Estão no radar temas como a modernização da infraestrutura portuária, os novos modelos de operação logística e o avanço de políticas públicas que fortaleçam emprego, qualificação profissional e sustentabilidade. A Secretaria seguirá atuando com planejamento e articulação institucional para garantir que o crescimento do Porto continue gerando desenvolvimento econômico, oportunidades e qualidade de vida para Santos, consolidando uma relação cada vez mais equilibrada entre Porto e Cidade.